segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Público é coisa de pobre



     E tivemos esta visita ilustre de dois professores: um de escola pública e um de escola privada. Tô na dúvida agora se posso dizer o nome das pessoas aqui. Permanecendo a dúvida, vou preferir chamar os professores de Margarida e Gastão, respectivamente. 
    Vou ter de frustrar vocês e dizer que não cheguei no início da aula e perdi toda a fala da Margarida. Bom, sobre o Gastão... Gostaria de pular a parte da descrição e ir direto pra reflexão, pode ser? Pode não Pois bem!
     Eu ouvi nesta aula que um dos maiores problemas da escola pública, pasmem, não é falta de recurso financeiro. Parece que existe recurso quando o professor desenvolve propostas criativas e solicita recursos para a implementação das suas ideias. Como não tenho conhecimento disso, vou compartilhar com vocês somente minha desconfiança surpresa diante dessa informação. Já faz uns longos dez anos que deixei o Ensino Médio em uma escola pública do Gama-DF, mas me lembro BEM das limitações que tínhamos. "Ai, menina, que discurso de vítima". Não, não! Não me entendam mal. Não acho que a escola pública deve ser engolida pela doença do "o aluno que passar em primeiro em Medicina ganha um Corvette super transado". Não mesmo! Penso apenas que deveríamos ter condições de desenvolver uma educação condizente com nosso momento histórico e científico. 
     Quando eu estudava no Ensino Médio, sentia uma vontade enorme de me mudar para uma escola particular aqui de Brasília porque ela parece a Casa Branca. Sabe aquelas colunas de estilo georgiano (?)? Então! É a fachada da tal escola. Mas eu tinha só 13 anos quando entrei no Ensino Médio (que droga!). Nem tinha ideia do terror psicológico da pressão que os estudantes de boa parte das escolas particulares sofrem. A educação, na esfera privada, vira produto. E produto bom é produto requintado, com propaganda, com resultados, com menino passando no vestibular da Universidade Federal, com alunos prodígio... Gente, ter recursos pra estudar deve ser maravilhoso. Sem qualquer ironia que posso expressar por este recurso, acho que não posso negar o quão bom pode ser não ser materialmente limitado no processo de aprendizagem. [Se bem que tem aquela coisa da criatividade... Deixa pra lá]. 
     No fim das contas, quero apenas levantar minha bandeira de crítica a esta obrigação de instrumentalização do saber. Conhecimento "meramente" formativo parece não ter lá muito status nos banners de propostas educacionais. A gente estuda para passar no vestibular, para ter um emprego que ganhe bem, para aposentar cedo e com uma boa pensão, para sermos velhos que desejariam ter uma vida com um pouco mais de sentido. Peraí, gente! Alguém mais tá vendo isso ou ando meio doida sozinha? 

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor

E esse bla bla bla todo que faz muito sentido pra mim!

Link de Epitáfio dos Titãs
http://www.youtube.com/watch?v=zTVtlGUD8KE

Um comentário:

  1. Não sei se conta muito a opinião da professora da disciplina em um blog, mas estamos aqui justamente para questionar esta instrumentalização do saber e procurar fazer uma educação mais impregnada de sentido para os sujeitos desse nosso mundinho trabalhoso... Mais no sentido da utopia que vc apresentou no outro post...

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