Esta postagem tem autoria grupal. Ela parte da experiência de alguns colegas de faculdade (da Biologia. Lembram, né?!) que realizaram visitas e entrevistas com coordenadores de escolas públicas do Distrito Federal. A redação é minha, da Thaís Porfírio, da Larissa Oliveira, da Vitória Vilarinho, do Artur (sem "h") Morbeck, do Sérgio Myron, do Hudson Monteiro e da Ananda Souza, que na verdade é Sayori.
So... Hey ho let's go!
Escolas visitadas: Centro
de Ensino Médio 414 de Samambaia, Paulo Freire da Asa Norte, Centro de Ensino
Médio 02 do Cruzeiro e Centro de Ensino Médio 03 do Guará (Centrão).
Realizamos visitas às instituições
supracitadas a fim de ouvir dos coordenadores suas impressões a respeito de
questões que permeiam a rotina e educação das escolas onde trabalham.
Importante esclarecer que a entrevista do CEM 02 do Cruzeiro foi realizada com
o coordenador do PIBID de química em razão de o coordenador titular não ter
tido tempo disponível.
A maioria das escolas
atende alunos de classes sócio-econômicas de baixa a média. O orçamento, em
duas instituições, envolve a articulação criativa dos gestores para o
levantamento de verbas, como, por exemplo, a locação de um espaço do terreno
para a instalação de uma antena de telefonia.
Observamos que três
escolas entrevistadas não têm um projeto político pedagógico (PPP) sistematizado.
A escola que dispõe de um PPP formalizado, o constrói em reuniões específicas
para este fim e considera as demandas levantadas pelos professores. Além do
PPP, três escolas desenvolvem outros projetos de forma planejada, como trabalho
com hortas e feiras de ciências. A coordenadora da instituição que não
sistematiza outros projetos relatou que ocorrem outras atividades de acordo com
a demanda observada ao longo do ano letivo.
Os coordenadores que
levantaram questões sobre a presença do PIBID elogiaram o trabalho desenvolvido
pelos graduandos e percebem que estes auxiliam no processo de aproximação dos
conhecimentos formais à realidade dos alunos secundaristas.
Foi unânime entre os
profissionais entrevistados a opinião de que há um distanciamento que permeia a
relação entre as escolas e a Secretaria de Educação (SEDF). Ouvimos queixas de
que a SEDF propõe projetos que, idealmente, são promissores, mas que
desconsideram a realidade de cada escola no momento da implementação. Os
coordenadores não se percebem ouvidos e não se enxergam como parte ativa na
fase de planejamento das propostas apresentadas pela SEDF. Uma das
entrevistadas acredita que a secretaria usa de um “mau jeito” (sic) no momento
em que executa seus projetos.
Um tema em especial que
pareceu se aproximar mais intimamente da pessoalidade dos profissionais, foi a
percepção da relação “cargo coordenador” com os professores. Os coordenadores,
quando passam a ocupar este cargo, se comprometem com um olhar sistêmico e começam
a receber demandas dos professores que precisam ser equalizadas entre si e
entre as demais necessidades da escola. O que acontece, na percepção dos
coordenadores, é uma resistência dos professores com relação às propostas que
vem dessa equalização de necessidades da coletividade (o que inclui,
obviamente, o olhar do próprio coordenador).
Dentre outros desafios da
prática, os coordenadores observam que a violência, o uso de drogas, a ausência
dos pais no processo educacional e o déficit de acompanhamento psicológico nas
escolas prejudicam profundamente a qualidade do ensino e as relações entre os
atores escolares. Por se tratar de um processo de grande complexidade, a escola
necessita de profissionais de apoio “acessório”, por falta de um termo mais
adequado. É claro que não se trata de problemas “de casa”, exclusivamente. Os
alunos vivenciam problemas sociais que extrapolam os limites da escola, da
família e do atendimento de serviços auxiliares, o que afeta diretamente o
processo educacional.
Assim como comentamos
durante a roda de conversa realizada em sala no último dia 02, conhecemos as
limitações que a brevidade do contato com os coordenadores impõe ao nosso
olhar. Não podemos dizer que o que expusemos, de fato, reflete a realidade da
escola e também não sabemos se criamos o contato com os entrevistados da melhor
forma possível, mas tivemos uma experiência que nos revelou que há muito a se
investigar e a questionar. O que seria, tradicionalmente, alvo de críticas,
como a ausência de um PPP sistematizado, pode ser tema de discussões para novos
modelos de educação que nunca concebemos. Mas como uma escola continua
funcionando sem um PPP? O que é “isto” que dá um norte ao processo educacional,
mesmo sem um documento? Não pretendemos defender uma forma anarquista de se
fazer educação (ao menos não ainda), mas essa experiência nos mostrou que a
pluralidade de formas de conduzir a educação pode ser muito mais benéfica do
que estamos adestrados a imaginar.
O relatório de vcs ficou muito bom!! faria uma consideração mais "metodológica" sobre a importância de indicarem período em que foram realizadas as entrevistas e como se deu o registro, se áudio ou por escrito.
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